"A semana começou com a noticia da agressão a pai e filho que estavam abraçados, numa feira agropecuária no interior de São Paulo. O motivo? Os agressores pensaram tratar-se de uma casal homosexual e decidiram dar uma lição aos dois.
Não eram homosexuais, mas vamos imaginar que fossem. Como alguém pode imaginar que tem o direito de espancar dois seres humanos apenas porque eles vivem de forma diferente da dele?
Na sexta feira recebi a noticia dos terríveis atentados na Noruega. Desde que conheci aquele país, em 1975, guardo por ele uma relação especial. Fiquei cativado pela sua natureza ainda crua e poderosa, seus vales e fiordes cavados de forma dramática pelas geleiras de outrora, que hoje deram lugar a braços de mar de aspecto deslumbrante. Sinto-me ligado aquele povo, que é ao mesmo tempo sofisticado e simples, ligado à terra, que sempre me recebeu com um misto de hospitalidade e curiosidade – os brasileiros são muito diferentes dos nórdicos. Volto lá sempre que posso e aos amigos digo que é minha “viagem da alma”, onde vou para satisfazer minha necessidade de estar em contato com a natureza pura.
As notícias e imagens dos ataques me abalaram. Pessoas inocentes, a maioria adolescentes, foram executados por um louco que não aceitava ver seu país recebendo imigrantes praticantes de outra religião. Como é possível alguém, da minha própria espécie, chegar ao ponto de achar que é certo executar inocentes, seja lá por que motivo?
No Sábado pela manhã a noticia da morte de Amy Winehouse. O fato em si, embora triste, é uma tragédia anunciada. Infelizmente já vi isso, várias vezes na minha vida. Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Cazuza são alguns dos nomes que me vêm a mente agora. Pessoas incríveis, que nos conquistaram pela sua grande sensibilidade e que, paradoxalmente, foram vitimados por ela. A sensibilidade que abre as portas da percepção e mostra o caminho da criação, pode também atormentar a alma a ponto de levar a insanidade e a auto destruição. Fico triste com o desfecho, mas é algo que aprendi a aceitar, com serenidade e tenho por essas pessoas um enorme apreço, pela arte maravilhosa que produziram e pelas portas que abriram.
O que me desconcertou no episódio da Amy foram os comentários enviados a jornais e sites de notícias. “Já vai tarde”, “Bem feito”, “Quem procura acha”. Não consigo entender como alguém pode desejar isso a uma pessoa que nunca fez mal a ninguém a não ser a si mesma.
Os dois episódios de violência e as mensagens raivosas por causa da morte da Amy, guardam uma característica em comum: revelam a dificuldade que certas pessoas têm de aceitar e lidar com o diferente. É essa dificuldade que faz com que alguém espanque um homosexual ou se incomode com o modo de vida de um artista e deseje a sua morte precoce. É ela que faz um louco matar inocentes.
A multiplicidade de caminhos e convicções que a raça humana consegue produzir é algo fantástico. Essa é a característica mais interessante da nossa espécie. Imaginem se fossemos um daqueles bandos de aves que vemos nos documentários sobre a África, em que cada pássaro voa exatamente da mesma forma, na mesma direção e no mesmo momento que os outros. Que pousa quando todos pousam, come quando todos comem, decola quando todos decolam, enfim vivem todos exatamente da mesma maneira. Não teríamos guerras, conflitos e nenhuma desavença, mas nossa vida seria muito pobre e infeliz. A riqueza da nossa existência está em sermos diferentes uns dos outros.
Nosso desafio é conseguir que essa diversidade conviva em paz.
Semanas como a que terminou parecem nos dizer que estamos falhando nessa missão, mas eu prefiro achar que elas servem para nos alertar, para nos lembrar dos monstros que habitam dentro de nós. Esses tristes eventos nos provam que, a qualquer minuto, a qualquer dia, eles podem acordar. Quando o fazem são muito barulhentos e apavorantes.
No entanto, acredito na nossa capacidade de domar monstros. Basta olhar ao redor e todos os dias vejo pessoas de bem, lutando com dificuldades, sempre com um sorriso nos lábios. Vejo uma geração incrível chegando ao mercado. Garotos que trabalham até tarde da noite, com um brilho de alegria nos olhos. Vejo outros criando empresas e projetos, com dificuldade, mas com muita criatividade e empolgação.
Vejo superação e solidariedade. Esperança e sonhos.
Vejo luta e realização.
Vejo muito amor.
Essa é a vida no planeta Terra. Um desafio a cada minuto. Alegrias e sustos andando lado a lado, onde nos cabe a nobre missão de nunca, mas nunca mesmo, desistir ou nos deixar entregar.
Boa semana a todos."
João Ferrer
segunda-feira, 25 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Carta para Minha Mãe Amada
"Hoje faz 4 anos que dona Ana Sabugosa partiu. 4 anos de vazio, mas 4 anos de crescimento.
De uma hora pra outra me vi sem chão, sem aquela que me fazia ter certeza, mas fui em frente.
Muita coisa do que ela deixou pra nós todos eu fui descobrindo ao longo desses anos, e acredito que seguirei da mesma forma.
Cada dia mais percebo o quanto eu tenho dela e o isso me dá orgulho. Algumas coisas são graças a genética, outras são ensinamentos. Com ela, eu aprendi a cuidar dos amigos, e que com gestos simples a gente pode fazer um bem gigante ao outro. Aprendi também que nada vem fácil, mas desistir jamais.
A dor não passa nunca, isso eu já entendi, mas a presença dela não se apaga, continua forte como sempre foi. A família que construiu permanece cada vez mais unida e cheia de orgulho da marca que ela deixou aqui na terra.
Saudade enorme!"
Lia Sabugosa
De uma hora pra outra me vi sem chão, sem aquela que me fazia ter certeza, mas fui em frente.
Muita coisa do que ela deixou pra nós todos eu fui descobrindo ao longo desses anos, e acredito que seguirei da mesma forma.
Cada dia mais percebo o quanto eu tenho dela e o isso me dá orgulho. Algumas coisas são graças a genética, outras são ensinamentos. Com ela, eu aprendi a cuidar dos amigos, e que com gestos simples a gente pode fazer um bem gigante ao outro. Aprendi também que nada vem fácil, mas desistir jamais.
A dor não passa nunca, isso eu já entendi, mas a presença dela não se apaga, continua forte como sempre foi. A família que construiu permanece cada vez mais unida e cheia de orgulho da marca que ela deixou aqui na terra.
Saudade enorme!"
Lia Sabugosa
terça-feira, 12 de julho de 2011
Escrever, escrever e escrever

Sempre gostei muito de escrever. Uma das minhas matérias prediletas no colégio era Redação. Me lembro até hoje do nome da professora. Sônia. Lembro até das mãos dela escrevendo no quadro. Incrível como a memória seleciona as coisas comuns a nós.
Durante muito anos escrevi nas minhas agendas. Tinha anos de vida confidenciados em agendas e mais agendas. Eram textos que traduziam em palavras as sensações como a do primeiro beijo, minha primeira paixão, minhas brigas com meus irmãos. Minha vida por alguns anos dentro de agendas. Quando me casei acabei me desfazendo delas. Hoje me arrependo. Não por ter me separado, mas por deixar pra trás parte da minha história.
Depois de anos, eu ainda casada, resolvi criar esse Blog. O intuito não me lembro exatamente. Quase não conhecia pessoas com Blogs, mas gostei da idéia de ter um. E acabou dando certo. Tinha um grupo fiel de leitores e aquilo alimentava a minha vontade de escrever. Escrevi textos que até hoje, quando encontro amigos e conhecidos por aí, comentam. Fico muito feliz e orgulhosa. Mas mesmo assim me sinto falha na rotina da escrita.
E foi em um momento de busca pela vontade de rotina na escrita que fiz minha inscrição em um curso de “cenas curtas”. Um curso aonde era possível aprender a escrever esquetes, ou seja, cenas curtas. Nelas o diálogo deveria estar presente. Afinal uma cena precisa, principalmente, de diálogo. A não ser que seja um monólogo.
As aulas são dadas pela grande Julia Spadaccini. Uma jovem talentosíssima que escreve pra teatro, TV e quadrinhos. Tem um humor maravilhoso e um dom absurdo de ensinar. Com ela aprendi a diferença de escrever para teatro e livros. Aprendi também que precisamos ter paciência quando o assunto é escrever. E principalmente que não precisamos ser geniais para escrever, basta ter vontade e disciplina. Isso sim: disciplina! Com a prática estou gostando mais de mim como autora. Já escrevi mais de 10 textos e pretendo escrever uma peça ainda esse ano.
Hoje é um dia muito importante pra mim como autora. Terei minha grande noite de estréia. Minha turma fará uma sessão no Teatro Poeira, aqui no Rio de Janeiro, para lermos alguns textos escritos por nós. Além de ter um texto meu em cena, fui convidada pra ler outros três. Estou bem feliz. Espero que esse seja o passo pra grandes estréias por trás das cortinas, e quem sabe, das telas.
terça-feira, 19 de abril de 2011
"Amor?"

Acabo de sair do cinema após assistir o novo filme do diretor, e nesse longa também produtor e roteirista, João Jardim. Me tocou muito. Me vi completamente nos personagens. Que, afinal, não são personagens, são depoimentos reais interpretados por atores. Mas reais depoimentos.
São pessoas que viveram “amores” doentios, dependentes, violentos, auto destrutivos.
Me tocou por ter dado forma a um relacionamento que vivi há anos atrás e que até hoje, volta e meia, vem a minha mente.
Vivi um relacionamento completamente doentio e dependente. Um adjetivo não interfere no outro, mas nesse caso, sim.
Passava por uma fase tremendamente delicada da minha vida. Minha mãe vivia em outro continente e eu vivia com meu pai, irmã e irmão, mas cada um em um quarto e andar da casa. Praticamente em mundos paralelos, independentes um do outro. Esse meu namorado vivia à 50km de mim, por isso (também) eu vivia na casa dele. Ou melhor: da mãe dele. Que vivia com marido, mãe, filha, meu namorado, cachorros e hanmster.
Namorei esse cara por um ano. Foi minha segunda paixão da vida. Eu tinha 20 anos, estava com gás total na profissão quando o conheci. Estudava na CAL e trabalhava muito com eventos. Era independente economicamente, ativa sexualmente e tinha uma carreira, que pra ele, era uma grande ameaça. Um prato feito pra um cara ciumento e uma jovem mulher carente de afeto.
Nos conhemos no Club Med, em Angra. Adorava passar os feriados, assim como ele, trabalhando no Mini Club, cuidando, brincando e praticando esportes com as crianças. Além de ser o paraíso para os jovens, pois tínhamos nossa privacidade, nossa grana (uma miséria), não precisávamos gastar em nada por ter tudo que necessitávamos no Club e ainda namorávamos. Romance perfeito. Até que o mundo real nos chamou e o ciúme dele começou a dar seus primeiros sinais de vida. Passei a ficar mais na casa dele, à 50km da minha, saí da CAL, parei de trabalhar e me tornei fraca emocionalmente e economicamente. E quando estamos fracos, qualquer carinho nos faz acreditar que estamos salvos.
Namoramos por um ano. Foi um ano muito duro pra mim. Devia ter mais coisas boas, mas agora só me vem a “segurança por estar de volta a uma família”. Eu vivia a vida da família dele e aquilo já me bastava, já que a minha estava desestruturada e fraca. Eu não enxergava que a minha união com os meus me daria força novamente. Simplesmente não acreditava, não via.
Até que a força veio depois de uma tremenda “porrada”. Com a ajuda do destino, descobri que o meu namorado, então, havia colhido muitos casos e romances durante nosso um ano de namoro. Ali pra mim estava explicado o porquê de tanto ciúmes. Sumi por uma semana, me muni de força e de amor próprio e dei um basta naquela história.
Durante exatos dois anos ele me procurou. Não me deixava em paz. Dizia que se “amava ele teria que perdoar as traições”. Quanto mais ele chorava e pedia perdão, mas crescia a minha força interna e me pedia pra acreditar em mim que tudo iria passar. E passou. Foi duro, mas passou.
Depois dele tive alguns namoros rápidos, alguns duradouros e um “casamento”. Hoje vejo e importância de me amar antes de amar o próximo, senão aquele tal amor fica vazio, sem força e se perde. Mais cedo ou mais tarde.
Mas te confesso que durante muito tempo, depois de já ter conseguido dar um basta naquela “doença”, pensava que nunca iria sentir amor igual àquele. Que nada. Aquilo não se chamava amor.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Escrever faz os pensamentos criarem forma.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Fora da Ordem
"Com os atuais acontecimentos do Rio, vejo muita gente enviando mensagens de SOS para o Capitão Nascimento.
Pois é, foram subtrair aos “bandidos” o seu sustento, expulsá-los do seu habitat sem dar nada em troca, nem mesmo uma indenização ou pagamento pelo ponto, deu no que está dando.
...
Ironias a parte, eu já pressentia que as ocupações das favelas pelas UPPs e expulsão dos comandos de pontos estratégicos dos tráfico no Rio não iam ficar tão baratas.
Não só pela perda do negócio pelos chefes das bocas, com todo o prejuízo financeiro somado ao achincalhamento, desmoralização e tom de desafio que isso representa. Mas, acima de tudo, porque há políticos e ricaços no Brasil, na América Latina e nos EUA que não querem perder a teta brasileira do mercado de drogas.
E, por trás disso tudo, há o tráfico de armas, que incita e é sustentado pelo das drogas e que inclui, em sua rede, figurões dos altos escalões politicos e econômicos de vários países.
É aí que reside a origem de toda essa violência. Se não fossem as drogas, seriam querelas religiosas, disputas de fronteira ou qualquer outro tipo de tensão que pudesse gerar consumo de material bélico.
Há aí duas grandes redes que se retroalimentam e vivem do sangue sugado de nossa juventude.
Portanto, essa inesperada união das facções do Rio, se está mesmo ocorrendo, a meu ver, é algo orquestrado de cima.
Ninguém quer discutir a liberação nem mesmo da maconha, não só por questões morais, de saúde ou ordem religiosa, mas, sobretudo, porque há um lobby de tubarões graúdos contra a discussão do tema.
A canalha que organiza esse festim não pretende pagar impostos sobre os seus produtos, É preferivel que o mercado ocorra na clandestinidade, como nos tempos da lei seca americana com seus gangsters elegantes.
Aqueles meninos descamisados com armas na mão são apenas o peixe pequeno, a bucha de canhão, os desafortunados buscando reconhecimento e um lugar na sociedade, e que se não é a nossa, que seja uma outra, paralela, por eles soerguida.
O que hoje se vê, embora não pareça, é uma luta por um lugar ao sol de pessoas que a civilização branca organizada de forma injusta relegou a um plano inferior, bem inferior.
É como tapar um vulcão com tapete, por isso tanta violência.
Há um livro do Tarso Genro, escrito nos anos 1980 ou 90 com o título, Socialismo ou Barbárie, inspirado com certeza nos pensamentos da Revista do grupo Francês Socialisme ou Barbarie criado em 1949 por dissidentes trostkistas.
Naquele volume, Tarso já previa os atuais acontecimentos.
Não há como forjar a construção da identidade de um país nem a identidade individual de cada cidadão conectada ao sentimento de pertencimento a uma nação, excluindo desse processo uma parcela tão significativa de sua população como aconteceu no Brasil e tratando esses excluídos como párias, sufocando as suas possibilidades de participação,represando suas energias produtivas e também sua sede de compensação, de reconhecimento e de satisfação de seus desejos e suas alegrias sem que um dia essas energias represadas acabem por derrubar os diques que as contém.
Queremos paz sim, queremos um Brasil melhor, queremos terminar bem esse ano e começar melhor o próximo. Queremos despoluir os rios, resolver os problemas habitacionais, de alimentação, educação, cultura, saúde e transporte. Queremos esporte vitorioso com Copa do Mundo e Olimpíadas seguras e bem sucedidas.
Mas esses caras também querem um lugar para viver e precisam, como qualquer pessoa, ter o reconhecimento de seus desejos e de suas individualidades. Querem ganhar bem. adquirir bens, almejam uma ascencão social e muitos a obtém na escalada das hierarquias do tráfico.
Essas possibilidades de certa forma, mantinham o crime no Rio sob determinadas regras e portanto não havia uma violência tão disseminada.
Mas é lógico que não poderia durar muito tempo uma situação assim, baseada em um mercado ilícito, mesmo que, por trás dos seus mecanismos, opere uma outra rede
ainda pior e mais poderosa, com Alvará e endereço postal que é a rede do tráfico de armas, essa sim o foco principal, onde até mesmo agências de inteligência parecem estar envolvidas.
Acontece que surgem agora novos interesses que não são compatíveis com o panorama atual e que incluem, entre outras coisas, o futuro promissor do mercado de imóveis que já se anuncia em decorrência dos eventos esportivos vindouros, com uma inevitável visada em direção aos morros onde se encontram as melhores vistas da cidade,
É lá que os comandos vem operando nas últimas décadas. E é de lá que agora precisam ser enxotados, dando início a uma provável “limpeza” do terreno.
Por isso, uma das primeiras perguntas que me ocorre é:
- Onde, em que espécie de aterro, os governos estão pensando em assentar os pobres que hoje habitam as favelas da Zona Sul?
Não há como varrer a miséria como fez Lacerda e outros governantes de outrora, jogando os pobres na Baixada, na Cidade de Deus e outras periferias.
Hoje o buraco é mais embaixo, a população é maior, mais reativa e encontra-se armada. Talvez haja um erro de avaliação nas estratégias de Cabral, Paes e Lula a esse respeito.
Não estou, de forma alguma, colocando- me do lado do crime, mas sim analisando a questão com distanciamento e tentando abordá-la da forma mais ampla possível.
O que está acontecendo agora, para os “bandidos” talvez tenha o sabor de uma revolução, mesmo que eles não possuam conhecimento do significado dessa palavra. Mas não esqueçamos que sua organização se deve a orientações recebidas de presos políticos nos anos 60 e 70 do século passado.
Aquelas torturas, por todos eles sofridas nos porões da ditadura, de certa forma, também emergem agora. Há toda uma violência gerada e contida que nesse momento quer recair sobre a sociedade que a produziu.
É importante ter isso em vista.
Mas, o mais importante, a meu ver, são os interesses internacionais, os caras que estão por trás disso e que não sujam as mãos, não vendem, mandam vender, não matam, mandam matar.
- Por que será que as informacões da polícia vazam?
O Capitão Nascimento pelo qual clamo agora é o do segundo filme. Aquele que nos traz uma conscência maior sobre o que está acontecendo e não apenas o combatente matador.
Há que se tratar a questão com energia, mas também há que se pensar em alternativas, em programas para o futuro que não permitam que esse mal continue crescendo.
Abro para o debate.
Bom dia.
Namastê."
Antônio Villeroy
Pois é, foram subtrair aos “bandidos” o seu sustento, expulsá-los do seu habitat sem dar nada em troca, nem mesmo uma indenização ou pagamento pelo ponto, deu no que está dando.
...
Ironias a parte, eu já pressentia que as ocupações das favelas pelas UPPs e expulsão dos comandos de pontos estratégicos dos tráfico no Rio não iam ficar tão baratas.
Não só pela perda do negócio pelos chefes das bocas, com todo o prejuízo financeiro somado ao achincalhamento, desmoralização e tom de desafio que isso representa. Mas, acima de tudo, porque há políticos e ricaços no Brasil, na América Latina e nos EUA que não querem perder a teta brasileira do mercado de drogas.
E, por trás disso tudo, há o tráfico de armas, que incita e é sustentado pelo das drogas e que inclui, em sua rede, figurões dos altos escalões politicos e econômicos de vários países.
É aí que reside a origem de toda essa violência. Se não fossem as drogas, seriam querelas religiosas, disputas de fronteira ou qualquer outro tipo de tensão que pudesse gerar consumo de material bélico.
Há aí duas grandes redes que se retroalimentam e vivem do sangue sugado de nossa juventude.
Portanto, essa inesperada união das facções do Rio, se está mesmo ocorrendo, a meu ver, é algo orquestrado de cima.
Ninguém quer discutir a liberação nem mesmo da maconha, não só por questões morais, de saúde ou ordem religiosa, mas, sobretudo, porque há um lobby de tubarões graúdos contra a discussão do tema.
A canalha que organiza esse festim não pretende pagar impostos sobre os seus produtos, É preferivel que o mercado ocorra na clandestinidade, como nos tempos da lei seca americana com seus gangsters elegantes.
Aqueles meninos descamisados com armas na mão são apenas o peixe pequeno, a bucha de canhão, os desafortunados buscando reconhecimento e um lugar na sociedade, e que se não é a nossa, que seja uma outra, paralela, por eles soerguida.
O que hoje se vê, embora não pareça, é uma luta por um lugar ao sol de pessoas que a civilização branca organizada de forma injusta relegou a um plano inferior, bem inferior.
É como tapar um vulcão com tapete, por isso tanta violência.
Há um livro do Tarso Genro, escrito nos anos 1980 ou 90 com o título, Socialismo ou Barbárie, inspirado com certeza nos pensamentos da Revista do grupo Francês Socialisme ou Barbarie criado em 1949 por dissidentes trostkistas.
Naquele volume, Tarso já previa os atuais acontecimentos.
Não há como forjar a construção da identidade de um país nem a identidade individual de cada cidadão conectada ao sentimento de pertencimento a uma nação, excluindo desse processo uma parcela tão significativa de sua população como aconteceu no Brasil e tratando esses excluídos como párias, sufocando as suas possibilidades de participação,represando suas energias produtivas e também sua sede de compensação, de reconhecimento e de satisfação de seus desejos e suas alegrias sem que um dia essas energias represadas acabem por derrubar os diques que as contém.
Queremos paz sim, queremos um Brasil melhor, queremos terminar bem esse ano e começar melhor o próximo. Queremos despoluir os rios, resolver os problemas habitacionais, de alimentação, educação, cultura, saúde e transporte. Queremos esporte vitorioso com Copa do Mundo e Olimpíadas seguras e bem sucedidas.
Mas esses caras também querem um lugar para viver e precisam, como qualquer pessoa, ter o reconhecimento de seus desejos e de suas individualidades. Querem ganhar bem. adquirir bens, almejam uma ascencão social e muitos a obtém na escalada das hierarquias do tráfico.
Essas possibilidades de certa forma, mantinham o crime no Rio sob determinadas regras e portanto não havia uma violência tão disseminada.
Mas é lógico que não poderia durar muito tempo uma situação assim, baseada em um mercado ilícito, mesmo que, por trás dos seus mecanismos, opere uma outra rede
ainda pior e mais poderosa, com Alvará e endereço postal que é a rede do tráfico de armas, essa sim o foco principal, onde até mesmo agências de inteligência parecem estar envolvidas.
Acontece que surgem agora novos interesses que não são compatíveis com o panorama atual e que incluem, entre outras coisas, o futuro promissor do mercado de imóveis que já se anuncia em decorrência dos eventos esportivos vindouros, com uma inevitável visada em direção aos morros onde se encontram as melhores vistas da cidade,
É lá que os comandos vem operando nas últimas décadas. E é de lá que agora precisam ser enxotados, dando início a uma provável “limpeza” do terreno.
Por isso, uma das primeiras perguntas que me ocorre é:
- Onde, em que espécie de aterro, os governos estão pensando em assentar os pobres que hoje habitam as favelas da Zona Sul?
Não há como varrer a miséria como fez Lacerda e outros governantes de outrora, jogando os pobres na Baixada, na Cidade de Deus e outras periferias.
Hoje o buraco é mais embaixo, a população é maior, mais reativa e encontra-se armada. Talvez haja um erro de avaliação nas estratégias de Cabral, Paes e Lula a esse respeito.
Não estou, de forma alguma, colocando- me do lado do crime, mas sim analisando a questão com distanciamento e tentando abordá-la da forma mais ampla possível.
O que está acontecendo agora, para os “bandidos” talvez tenha o sabor de uma revolução, mesmo que eles não possuam conhecimento do significado dessa palavra. Mas não esqueçamos que sua organização se deve a orientações recebidas de presos políticos nos anos 60 e 70 do século passado.
Aquelas torturas, por todos eles sofridas nos porões da ditadura, de certa forma, também emergem agora. Há toda uma violência gerada e contida que nesse momento quer recair sobre a sociedade que a produziu.
É importante ter isso em vista.
Mas, o mais importante, a meu ver, são os interesses internacionais, os caras que estão por trás disso e que não sujam as mãos, não vendem, mandam vender, não matam, mandam matar.
- Por que será que as informacões da polícia vazam?
O Capitão Nascimento pelo qual clamo agora é o do segundo filme. Aquele que nos traz uma conscência maior sobre o que está acontecendo e não apenas o combatente matador.
Há que se tratar a questão com energia, mas também há que se pensar em alternativas, em programas para o futuro que não permitam que esse mal continue crescendo.
Abro para o debate.
Bom dia.
Namastê."
Antônio Villeroy
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A Morte Nada É.
(Acordei saudosa, então postei um texto que Andrea Evora Cals também publicou)

"A morte nada é.
Eu apenas estou do outro lado.
Eu sou eu, tu és tu.
... Aquilo que éramos um para o outro
Continuamos a ser.
Chama-me como sempre me chamaste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom da tua voz,
Nem faças um ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.
Brinca, sorri, pensa em mim,
Reza por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi; Sem qualquer ênfase, Sem qualquer sombra.
A Vida significa o que sempre significou.
Ela é aquilo que sempre foi
O "fio" não foi cortado.
Porque é que eu, estando longe do teu olhar,
Estarei longe do teu pensamento?
Espero-te, não estou muito longe,
Somente do outro lado do caminho.
Como vês, tudo está bem."
Henry Scott Holland

"A morte nada é.
Eu apenas estou do outro lado.
Eu sou eu, tu és tu.
... Aquilo que éramos um para o outro
Continuamos a ser.
Chama-me como sempre me chamaste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom da tua voz,
Nem faças um ar solene ou triste.
Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.
Brinca, sorri, pensa em mim,
Reza por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi; Sem qualquer ênfase, Sem qualquer sombra.
A Vida significa o que sempre significou.
Ela é aquilo que sempre foi
O "fio" não foi cortado.
Porque é que eu, estando longe do teu olhar,
Estarei longe do teu pensamento?
Espero-te, não estou muito longe,
Somente do outro lado do caminho.
Como vês, tudo está bem."
Henry Scott Holland
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